O beijo sem adjunto
Voa no espaço, conjunto
Do abismo infinito entre as bocas
E nunca se beija junto
Não sei, na verdade, proposta
Que possa fazer a esse beijo
Porque se proponho exijo
Da boca que beija, resposta
E a própria palavra, imprecisa
Diz não quando quer sim
Talvez quando quer já
É brisa em fogueira acesa
Esse beijo que não se dá
O que não vive e nos mata
O que pede uma boca inexata
Esse eu não sei beijar
É mais como um desagrado
Confunde minha alma, sussurra
Faz-me perdido e me empurra
Pra fora de mim, e me flagro
Solto em lembrança sutil
Do gosto que não provei
Do cheiro que não senti
Da boca que não beijei.
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