segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Instante, filho mais precioso do tempo
contraria no ser o desejo de durar

- É verdade sentir - semeia ele
em nossas peles
sem palavras

Mas seu pai, subversivo
nos fará reféns

de mais

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

NADA MAIS AMANHECE

Pouca demora
pra tanto encanto
Ontem, seu rosto o mundo
Oriente a oeste
Os olhos em fuga
Nús e profundos

Isso passa, mas quanto?

E no quarto do hotel,
agora nú
Despido de nós
Nada mais amanhece
Que o lamento das horas
Das quais
Não fomos
Reféns

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Trilho de papel

locomotiva-lápis
coração de carvão
maria-fumaça

a escrita revisita
a estrada
reedita a cada curva
costuras desalinhadas

precipita no caminho
a caminhada
entreparadas
aguarda a vida

parece, ao menos, viva

vagões de carga
na partida carregados
sugestão: enfim, seguir



Para em seguida

Nada

terça-feira, 19 de agosto de 2008

madona

no has dicho ni una palabra
eres lista hasta no poder más
pero callarse no te haces mejor

hay océanos a atravesar
más que pares de vocablos
hay el deber de chillar

pueden ser dos o desnudas
salada te tocas tus
en calcetines por las madrugadas

ráfagas de ojos trenzados
cerrados abaleo, la espera
de la verija no es
das más blandas cabalgatas

estadía de mierda
el catre, la celda
la silla, en celo
en guantes vacilas
vacía, la pobre

mi dona
la chica

"titica
de nada"

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Silêncio!

O menino está morto

Menos indigno o momento
de cessar, mais breve seja.

A morte dignifica o ser
E não ser mais representa

Venta logo cedo pouco
resta a lamentar



o homem há de nascer

domingo, 17 de fevereiro de 2008

NÓS

Somos nós...

impossível desatar.


Somos naus...

e nãos e, nús,

somos mais


a naufragar.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Eu vou deixar você seguir
Suave como veio
Outro dezembro, eu vou seguir
O que é o meu caminho

Mas se você disser
Vem
Já nem sei

E se você disser
"tudo bem"
Nem precisa
Me dizer o que eu faço

Durante muito tempo
eu persegui
a trilha dos seus passos

E nesse chão
colecionei
todos os seus defeitos

Tudo que eu tinha
pra dizer
já cansei

Mas se você disser
"tudo bem"
Nem precisa
Me dizer o que eu faço

Mas se você disser
Vem
Já nem sei

E se você disser
"tudo bem"
Nem precisa
Me dizer o que eu faço

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Fui eu

te dei essa língua
de sentir amargos
e a pele fluida
de arrepios-apelos

arei horizontes
de perder passados
replantei afagos
de enfiar os dedos

garota, teu cheiro
meu caso
na boca da tarde
segredos
ensaios de medos
alheios


ficou tudo nosso meio
nada feito



feito nada fosse mesmo




nosso enredo

terça-feira, 9 de outubro de 2007

No reflexo quase somos
um casal
a não ser pelo fato de
não sermos
sob as lentes
do arnette falso, meu disfarce
algo verdadeiro sente
falta
de ouvir seu sim
com mais frequência
ganhar um olhar
quando se afasta
mas você
tem suas lentes
caras

o Sol poente confere
ao reflexo
ares de tela
a cidade passa veloz
por nós
emoldurada na janela
no vidro vejo uma cena
parece um casal de cinema

você bela
sonha uma conversa
pro dia seguinte
seguir
eu já não valho a pena
sinto coisas de cão
impulsos de perseguir
domar, morde-la

covarde
o amor é essa coisa
pequena

a falta que a gente sente
de um papo de fim de tarde

a música que se reparte
enquanto não chega
a hora

de descer

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Esse passo posto
ultrapasso
coxo
e lasso

Se pra quem diz "chega!"
Não há paz
Nem pra quem diz
"Chega mais..."
Resta recompor o traço

Viver calado, jamais