sábado, 19 de fevereiro de 2005

CORRIDA

O ser que tem fome é o não ser
Do mesmo ser quando come

A fome deflora as filhas mais belas
Revela-se como uma herança
Enchendo de filhos as celas
A fome nunca descansa
Não cessa a canção da morte
Bossa que a fome dança

Teu pai sente fome?
Apressa-te
Foge da mesma sorte
Que a fome consome
De dentro pra fora

A fome devora
A alma primeiro
O sonho primeiro
Primeiro a esperança

Corre, criança!

Nenhum comentário:

Postar um comentário