Não ser digno de nenhum amor,
meu projeto
A quem puder dar, tomar,
em grandes goles de estio,
o que houver de mais quente
E no poente da tarde, ou da vida,
partilhar sempre a mais fria
i n d i f e r e n ç a
Desse vazio, minha entrega
sem esboço de mínimo gesto
ou vestígio de qualquer som...
dessa ausência, que é minha
melhor oferta,
colher a noção exata do Não,
isso sim, de todas as coisas,
a coisa mais certa
Para ser, fielmente
(os olhares se perdem quando os olhos apontam na mesma direção),
à margem do que não é dito,
o oposto do que persigo inerte
Até não ficar
nada de bom
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