terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

PERSPECTIVA

Ânimos anônimos
habitam as salas
As celas
As solas dos pés amarelas

Percorrem passagens
Varandas, sacadas
Janelas, corredores
Degraus de escadas

Escorrem por mãos
Geladas
Frescas frestas
Curvas e arestas
Teias, telas, vias
De vidro, de cobre, aéreas

Patéticas circunvoluções
Septos poéticos e subterrâneos sépticos
Fundem-se na paisagem acelerada
Apenas velocidade restou
E o verso já não é nada

Verbo é vetor e tempo
Motivação maculada
Pela ilusão de um momento
Mas à sombra do pé do romã
Tudo parece mais lento

É lá que a vida está parada?

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